Políticas Públicas e o Circo

Decepciona o descaso do poder público com a arte Circense. Não me refiro apenas ao

praticado atualmente, pois as políticas públicas para com o Circo sempre foram frágeis,

quando não, inexistentes. E olha que se trata de uma arte que contabiliza mais de cinco mil

anos de existência, comprovados com pinturas descobertas na China, em que acrobatas,

contorcionistas e equilibristas se apresentavam para autoridades. Hoje, em pleno Século XXI,

ainda não temos uma estrutura de apoio que se mantenha e fortaleça nossa arte.

Já dizia o poeta: A ausência da arte nos diminui a todos. Se Juvenal vivesse nos tempos atuais,

diria que falta ao povo o pão e o Circo! E não há dúvidas sobre a gravidade disso... A falta de

cultura aumenta a desigualdade social e empobrece uma nação. Sem falar que uma arte que

emprega tanta gente não deveria ter possibilidade de se tornar irrelevante!

Vou citar um descaso recente, especificamente sobre o Festival Internacional de Circo – FIC. O

Festival surgiu na gestão do Secretário André Sturm com o objetivo levar para a população

espetáculos circenses gratuitos e de qualidade. Surpreendeu esse reconhecimento para com a

arte circense, já que o Secretário garantia a realização anual do mesmo, como um evento do

calendário oficial da Prefeitura de São Paulo.

Desde então o FIC realizou três edições, se tornando um dos festivais mais importante do país,

proporcionando qualificação, informação e troca de saberes, ações muito importantes para a

categoria circense e para o público. Essas três edições foram de enorme sucesso,

apresentando números impressionantes em cada edição: média de 70 grupos/espetáculos

(cerca de 400 artistas), 75 intervenções artísticas, com 20 apresentações volantes (cerca de

400 artistas), mesas formativas, mesas de debates, palestras, exposições e várias lonas

montadas dentro da cidade do circo. O Festival também gerou emprego direto para

seguranças, carregadores, equipe de limpeza, contrarregras, capataz, operadores de som, de

luz, técnicos de vídeo, fotógrafos, designer gráfico, costureiras, e muitos outros profissionais.

Se para André Sturm era de máxima importância a existência do Festival Internacional de Circo

- FIC, para as gestões sequentes ele parece pouco importar, pois a quarta edição, que deveria

se realizar em 2021, simplesmente foi cancelada! Você não sabia?! Então siga sua leitura só

mais um pouquinho...

O Edital de aprovação da quarta edição do FIC foi publicado no Diário Oficial, mas houve uma

recusa em pagar o que havia sido contemplado. Foi necessário acionar o MP e o Tribunal de

Contas, pois a Lei não estava sendo cumprida. A classe circense realizou uma intensa

mobilização e, após muita pressão pública e ações judiciais, a Lei foi cumprida. Cá estamos:

realizando a quarta edição, quando na verdade era para ser a quinta.

O alijamento do movimento circense é tão evidente que até mesmo o Tendal da Lapa

desativou o Centro de Qualificação do Circo. E olha que recentemente havia sido inaugurada

uma lona de circo em homenagem ao palhaço Agenor (Domingos Montagner).

A bem da verdade, essa edição significa muito mais que a continuidade de um festival. É o

resultado de uma classe que se uniu e lutou por sua edição! Somos renitentes. Tanto que

acreditamos na sensibilização e reconhecimento da importância do FIC pelo Poder Público, e

que garantam a realização da quinta edição ainda em 2022.

O FIC é muito mais que um festival, o FIC é resultado de nossa luta. Sim, o FIC é nosso!!!

E Juvenal, vamos levar circo para o povo sim.

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